
Duas últimas semanas, percorremos dois centros, um mais próximo da Praça da Sé, outro mais próximo do Anhangabaú. Mas ainda estes eram o "centro velho", dizia alguém, pois o centro novo é a Av. Paulista. Quantos centros teríamos então? Um? Dois? Vários?
Deslocamentos de centros, talvez isso que interesse a nós. Reordenar o que parece central para que centro e periferia possam permutar... relativando sempre o que parece ganhar destaque ou o que parece ser fadado ao esquecimento... reposicionar funções, reorientar rotas, mudar de sentido...
No centro-Anhangabaú visitamos as superfícies, percorremos pequenos relevos, atravessamos galerias, conhecemos o antigo comércio. O antigo era novo, mal reconheciam o que queriam reencontrar. Interessou ao grupo uma pequena barraca de camelô que vendia óculos escuros. Experimentamos diversos, quase desfilamos com os óculos... algo habitava ali, nesta experimentação... havíamos passado por diversas lojas, região rica em comércio, mas o encontro se deu mesmo foi na rua, foi lá, em torno desta banca de óculos que algo se passava...
No centro-Pça da Sé explorávamos outros tipos de relevo, tomando distância do micro-relevo, nos lançamos ao alto, subimos mais de 30 andares no prédio do BANESPA. A altura era vertiginosa para alguns para outros era A REALIZAÇÃO. Do alto tudo ficava pequenino, o que na semana anterior era grandioso ficava agora deslocado... víamos o mundo através de lentes escuras e coloridas na semana passada, nesta semana víamos do alto os transeuntes, que mais pareciam formigas, percorrendo, se deslocando...
Os deslocamentos relativizam as distâncias, os centros, as dimensões das coisas...
Experimentamos novas alturas, novas superfícies, EXPERIMENTAMOS NOVOS TAMANHOS e nos surpreeendemos a cada instante que podemos ampliar visões e que não somos tão pequenos assim...