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terça-feira, 13 de março de 2012

Ei motorista!

Estávamos sentados no ponto de ônibus para ir ao parque do ibirapuera, estávamos em quatro desta vez, ocupando todos os assentos disponíveis, quando fomos abordado por um sujeito que nunca tinha visto mais gordo. Ele fazia com a mão esquerda um gesto de quem aponta uma arma e de forma abrupta envolveu com o outro braço o pescoço de Marcos e gritava: "Marcos, Marcos, cadê aquele bandido do seu pai!" - Ainda sem entender, permanecemos um pouco imóveis e completamente intimidados por uma cena que pouco usual, na incerteza total do que viria depois... Quem seria este cidadão, vestido de camisa azul de manga curta, que abordava o Marcos e nos tirava do marasmo de aguardar a chegada do ônibus?
Logo a tensão se dissipou, o moço logo perguntou: "Marquinhos, você lembra de mim, o bigode?" "E o Diogo tá bem?" "Por onde anda seu pai, o Donizete?" Marcos, ainda tímido, responde: "Oi bigode, claro que eu lembro de você". O cara se retira pra resolver umas coisas. Enquanto isso Marcos relata que conhece ele desde "pequeno assim" e faz o gesto com a mão, querendo dizer que desde criancinha. Acrescenta ainda: "o Bigode era cobrador da linha do Terminal Campo Limpo, quando esse ônibus começou".
Nisso o Bigode volta e continua: "Marquinho, lembra que eu fazia "fiiiiii" na sua orelha?" - e faz gestos com as mãos sobre as orelhas de Marcos. Marcos esboça uma fala rala que quase não sai: "Eu to trabalhando agora Bigode, to trabalhando no mercado". Bigode conduz as pessoas até a porta do ônibus e então constatamos que ele mesmo é quem dirigiria aquele ônibus que pegaríamos para o Parque.
Durante todo o trajeto, mesmo estando sentados nos últimos assentos do ônibus, o motorista conversava conosco, perguntando ao Marcos, aos berros, sobre a família, se ainda moravam no mesmo lugar, onde estava trabalhando etc. Marcos também aos berros (coisa inédita!) respondia e se fazia ser ouvido. O ônibus todo foi acompanhando a história que se desenrolava destes reencontro "desde que ele era pequeno assim", sorrindo e igualmente desacreditados... Marcos durante o trajeto liga para o pai e diz: "Você não sabe quem está aqui! Não vai adivinhar!" O pai, obviamente nem imaginava, até porque nem sabia onde o filho estava. Explicado mais ou menos, Marcos diz: "O bigode, lembra? O cobrador do terminal Campo Limpo!" O pai pede então que Marcos passe o telefone pra ele porque queria falar com o velho amigo Bigode. Nessa hora o Marcos se vira e me diz: "Gi... ô Gisele... leva lá o meu telefone até o Bigode, meu pai quer falar com ele". 

Digo a ele pra dizer ao pai que o Bigode está dirigindo, que não poderia atender o telefone. É nesta hora que o pai entende que o filho estava no ônibus e que o Bigode era o motorista!
Demos boas risadas e agradecidos pelo encontro, seguimos viagem e descemos 5 pontos depois de onde tínhamos pego, ainda tomados pela alegria de uma feliz acaso que esta cidade nos proporciona de vez em quando. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011


VAMOS PRA PRAIA?

Pesquisa pela cidade. Fomos ao Terminal Jabaquara. Alguém sabe quanto custa a passagem pra praia?
- Nosssa!!!! É nesses busão que eu fui uma vez pra praia, fui do lado do motorista, bem lá na frente!!! Vamo perguntar quanto custo pra ir nesse!!!! 
- Eu nunca vi o mar. Nunca fui pra praia.
- Eu já fui pra Bertioga com meu irmão. 
- Onde será que fica o lotação? Deve ser mais barato!
- A lotação saí de meia em meia hora, nós temos o escritório próprio da companhia, daí dá pra deixar a mala no escritório, parar perto da praia. Ah! Também há banheiro e chuveiro, daí dá pra tomar banho. O preço é o mesmo mas oferecemos estes serviços a mais. Se vcs forem de ônibus vão pagar condução da rodoviária até a praia. O nosso não, é porta de casa!




terça-feira, 6 de setembro de 2011

FOTOS DAS XILOS IMPRESSAS










XILOGRAVURAS A PARTIR DE FOTOGRAFIAS


VÁRIAS PASSAGENS ATÉ CHEGAR A GRAVURA


SAÍMOS, TIRAMOS FOTOS, ELENCAMOS TEMAS, PESQUISAMOS IMAGENS. FAZEMOS ENTÃO UMA ESCOLHA DAS TANTAS FOTOS TIRADAS.
TRANSFORMAMOS-NA EM DESENHO, COM LINHAS SIMPLES, COM O AUXÍLIO DE UMA MESA DE LUZ. COM ESTE DESENHO PASSAMOS PARA A MADEIRA COM PAPEL CARBONO. EIS QUE TEMOS O DESENHO SOBRE A MADEIRA.



A XILOGRAVURA:
O PROCESSO DE ESCAVAÇÃO, UMA PRONTIDÃO PARA EXERCER FORÇA E PRECISÃO, UM EXERCÍCIO EXIGENTE!
CAVAR, CAVAR E CAVAR, PRODUZIR FENDAS ONDE ESTÁ LISO E PERFEITO. PRODUZIR IMPERFEIÇÕES NA SUPERFÍCIE ATÉ ENTÃO INTACTA!
CAVAMOS SEM SABER COMO EXATAMENTE VAI FICAR. CAVAMOS E AOS POUCOS VAMOS TROCANDO A REFERÊNCIA LINHA (do desenho) PARA UMA REFERÊNCIA MENOS VISÍVEL MAS MAIS TÁTIL-SENSÍVEL. REFERÊNCIA DE RELEVO. A MEDIDA EM QUE CAVAMOS RETIRAMOS AS LINHAS: COMO SEGUIR ENTÃO?
CONTINUAMOS A CAVAR, PRODUZIMOS RANHURAS, EXPLORAMOS NOVAS FISSURAS, IMPRIMIMOS NOVAS FORÇAS. CANSAÇO! FADIGA! COMO DÓI A MÃO!



A IMPRESSÃO:
FINALMENTE TESTAR SE A ESCAVAÇÃO FOI SUFICIENTE, INTINTAR E VER O QUE AQUELE RELEVO QUE TOMOU O LUGAR DAS LINHAS TAMBÉM TEM ALGO A NOS DIZER. IMPRESSÃO EM PAPEL BRANCO COM TINTA PRETA. UAU!!! OLHA SÓ O QUE APARECEU? ESPANTO, DECEPÇÃO E SURPRESA.
XILOGRAVURAR EM OUTROS SUPORTES, EXPLORAR CORES NAS XILOS? MAS COMO? VOCÊ PINTOU DE CANETINHA? UÉ? MAS SE A TINTA É PRETA COMO É QUE FICOU COLORIDA SUA XILOGRAVURA? IMPRIMIMOS SOBRE JORNAL, REVISTA E PAPÉIS COLORIDOS... MULTIPLICAM-SE AS POSSIBILIDADES... INFINITAMENTE!!!

terça-feira, 24 de maio de 2011

A arte do movimento


Ele movimentou a vida, se tornou um trabalhador;
o trabalho exigiu dele outras presen;cas na cidade e uma certa ausência em saídas do grupo. Ainda sim, ele marcou presença, acompanhando nossas andanças a distância. Ligou na véspera, desejou bom passeio. Depois, no dia do grupo, ligou ao final de seu expediente de trabalho: "como foi o passeio? Foram ver a exposiçao? Tava bom?" - ligaçao que entendemos assim: "Estou aqui, no batente, trabalhando duro, mas conectado com vcs", - Certos movimentos, o de crescer e tomar parte na vida adulta, exiigu dele certas escolhas e sacrifícios. CAMADAS de movimentos, aparentemente excludentes, tornam-se articuladas, movimentos e presenças diferenciadas. Gestos por aquele que por vezes teve sua voz abafada pela fala dos que gritavam, gestos por aquele que por vezes encolheu-se diante do outro. Gesto agora, por aquele que se lança ao mundo selvagem e tenta, como nós, sobreviver.
ATIVAÇÕES NOS MODOS DE OCUPAR A CIDADE E A VIDA!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Nada de chover no molhado! Nadamos mesmo no seco!


Galeria Vermelho: chuva lá fora, piscina seca aqui dentro!

Por uma ética da multiplicidade


É um trabalho que tem como pressuposto o exercício da afirmação de desejos dos participantes e a possibilidade de cada um engendrar um modo de ser e de se relacionar com o outro e com a cidade, onde a diferença não produz a exclusão, mas a invenção de novas formas de relação.