Estávamos sentados no ponto de ônibus para ir ao parque do ibirapuera, estávamos em quatro desta vez, ocupando todos os assentos disponíveis, quando fomos abordado por um sujeito que nunca tinha visto mais gordo. Ele fazia com a mão esquerda um gesto de quem aponta uma arma e de forma abrupta envolveu com o outro braço o pescoço de Marcos e gritava: "Marcos, Marcos, cadê aquele bandido do seu pai!" - Ainda sem entender, permanecemos um pouco imóveis e completamente intimidados por uma cena que pouco usual, na incerteza total do que viria depois... Quem seria este cidadão, vestido de camisa azul de manga curta, que abordava o Marcos e nos tirava do marasmo de aguardar a chegada do ônibus?
Logo a tensão se dissipou, o moço logo perguntou: "Marquinhos, você lembra de mim, o bigode?" "E o Diogo tá bem?" "Por onde anda seu pai, o Donizete?" Marcos, ainda tímido, responde: "Oi bigode, claro que eu lembro de você". O cara se retira pra resolver umas coisas. Enquanto isso Marcos relata que conhece ele desde "pequeno assim" e faz o gesto com a mão, querendo dizer que desde criancinha. Acrescenta ainda: "o Bigode era cobrador da linha do Terminal Campo Limpo, quando esse ônibus começou".
Nisso o Bigode volta e continua: "Marquinho, lembra que eu fazia "fiiiiii" na sua orelha?" - e faz gestos com as mãos sobre as orelhas de Marcos. Marcos esboça uma fala rala que quase não sai: "Eu to trabalhando agora Bigode, to trabalhando no mercado". Bigode conduz as pessoas até a porta do ônibus e então constatamos que ele mesmo é quem dirigiria aquele ônibus que pegaríamos para o Parque.
Durante todo o trajeto, mesmo estando sentados nos últimos assentos do ônibus, o motorista conversava conosco, perguntando ao Marcos, aos berros, sobre a família, se ainda moravam no mesmo lugar, onde estava trabalhando etc. Marcos também aos berros (coisa inédita!) respondia e se fazia ser ouvido. O ônibus todo foi acompanhando a história que se desenrolava destes reencontro "desde que ele era pequeno assim", sorrindo e igualmente desacreditados... Marcos durante o trajeto liga para o pai e diz: "Você não sabe quem está aqui! Não vai adivinhar!" O pai, obviamente nem imaginava, até porque nem sabia onde o filho estava. Explicado mais ou menos, Marcos diz: "O bigode, lembra? O cobrador do terminal Campo Limpo!" O pai pede então que Marcos passe o telefone pra ele porque queria falar com o velho amigo Bigode. Nessa hora o Marcos se vira e me diz: "Gi... ô Gisele... leva lá o meu telefone até o Bigode, meu pai quer falar com ele".

Digo a ele pra dizer ao pai que o Bigode está dirigindo, que não poderia atender o telefone. É nesta hora que o pai entende que o filho estava no ônibus e que o Bigode era o motorista!
Demos boas risadas e agradecidos pelo encontro, seguimos viagem e descemos 5 pontos depois de onde tínhamos pego, ainda tomados pela alegria de uma feliz acaso que esta cidade nos proporciona de vez em quando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário